INDUÇÃO DA OVULAÇÃO: quem precisa de tratamento?
1. Mulheres com distúrbios hormonais. Uma liberação inadequada ou mal equilibrada de FSH ou LH pela hipófise, geralmente significa que essas mulheres não produzem óvulos todos os meses e por isso não ovulam. Isto pode ser acompanhado por períodos menstruais irregulares ou ausentes. Além disso, existem alguns distúrbios hormonais menos comuns, nos quais não é produzido absolutamente nada de gonadotrofinas. Entre esses distúrbios há uma condição conhecida como hipogonadismo hipogonadotrófico (cuja causa é algumas vezes desconhecida). Esse estado de completa incapacidade de produção de gonadotrofinas também pode ser provocado por cirurgia ou por radioterapia para um tumor da hipófise. Também nesta categoria - mas menos irreversivelmente entram as mulheres com peso muito abaixo do normal; foi constatado que algumas corredoras de maratona, por exemplo, são inférteis em resultado de hipogonadismo hipogonadotrófico. Nesses casos, a melhor conduta para assegurar uma gravidez saudável é o aumento de peso.
2. Mulheres com a síndrome do ovário policístico. A razão pela qual mulheres com a síndrome dos ovários policísticos (SOPC) não engravidam é que elas não estão ovulando. O tratamento medicamentoso - tanto com comprimidos como, freqüentemente, com injeções de gonadotrofinas - geralmente pode resolver esse problema.
MEDICAMENTOS
Citrato de clomifeno. O medicamento mais comumente usado na indução da ovulação é o citrato de clomifeno, o que é utilizado diariamente (um comprimido) durante cinco dias, a partir do segundo dia da menstruação. Os resultados mostram que quatro de cada cinco mulheres que recebem clomifeno ovulam, mas apenas cerca de uma em cada três engravida. A dose inicial geralmente é de 50 miligramas, podendo ser aumentada para 100 miligramas. O clomifeno pode provocar o espessamento do muco cervical, por isso um teste pós-coito pode mostrar ao médico como os espermatozóides estão sobrevivendo no trato genital.
Têm sido relatados efeitos colaterais com o clomifeno, principalmente distúrbios gástricos e intestinais, fogachos, inchaço, cefaléia, tonturas, depressão e desconforto nas mamas. A gravidez múltipla é um risco sempre que a ovulação é induzida com medicamentos para a fertilidade. Na concepção natural, não assistida, o risco é aproximadamente de uma em oitenta; na indução da ovulação é de cerca de uma em vinte. Não existe aumento de risco de defeitos congênitos por qualquer dos medicamentos para a fertilidade.
Gonadotrofinas. Enquanto o clomifeno
é uma droga útil para muitas mulheres com problemas
de infertilidade, nem sempre é bem sucedido ou adequado,
especialmente nas mulheres com SOPC (porque pode causar
alterações inúteis na liberação
dos hormônios reprodutivos). Portanto, se o clomifeno
não der bom resultado dentro de, digamos, seis meses,
geralmente serão solicitados mais exames e tratamentos
alternativos. Os preparados de gonadotrofina são derivados
de fontes urinarias humanas, e fornecem FSH e LH em várias
quantidades. Recentemente os preparados com gonadotrofina têm
sido produzidos sinteticamente por meio de modernos métodos
biotecnológicos. Esses novos preparados podem ser
administrados por meio de injeções subcutâneas
(sob a pele), preferivelmente à injeção
intramuscular mais profunda, necessária com os preparados
originais. As gonadotrofinas são preparados úteis nas
mulheres cuja liberação própria de FSH e LH
pela pituitária é anormal.
O tratamento com gonadotrofina geralmente é iniciado alguns
dias após o início de um período menstrual. As
mulheres que não estão menstruando devem ser antes
monitoradas por ultra-som, podendo ter um ciclo induzido por um
tratamento com progesterona. A dose administrada de gonadotrofinas
varia de uma paciente para outra, dependendo de como os
ovários respondem a esse tratamento. As
injeções podem ser dadas diariamente ou em dias
alternados.
MONITORAÇÃO DO TRATAMENTO
O tratamento de indução da ovulação permite que as mulheres com infertilidade hormonal ovulem normalmente e tenham a oportunidade de conceber naturalmente. É crucial para seu sucesso, entretanto, que a relação sexual seja realizada em coincidência com a ovulação obtida pelo tratamento. A monitoração da resposta ao tratamento é, portanto, uma parte vital do programa, a fim de serem maximizadas as probabilidades de uma gravidez bem sucedida e minimizados quaisquer riscos. A monitoração cuidadosa evitará o desenvolvimento de muitos óvulos, desse modo reduzindo as probabilidades de uma gravidez múltipla e o desenvolvimento da "síndrome de hiper-estimulação ovariana' (ver mais adiante). Um ciclo de tratamento pode ser suspenso se existir o risco de ocorrência de qualquer dessas duas condições.
O melhor modo de monitorar a resposta dos ovários é por ultra-som. o exame pode ser realizado tanto através da parte inferior do abdome - caso em que é essencial ter a bexiga cheia - ou, mais comumente, com um transdutor vaginal. De qualquer maneira, poderá ser visto na tela do ultra-som quantos folículos estão crescendo em cada ovário. Cada folículo deve conter um óvulo, sendo considerado pronto para a ovulação quando atinge um diâmetro de pelo menos 17 milímetros. Do mesmo modo, o revestimento do útero (endométrio) se espessa, preparando-se para receber um embrião, devendo atingir uma espessura de pelo menos 8 milímetros no momento da ovulação.
Muitas clínicas complementam sua
monitoração por ultra-som com dosagens dos
níveis de hormônios no sangue. Os níveis de
estrogênios são os mais importantes, porque indicam
como os folículos estão crescendo. Apenas o
ultra-som, porém, pode revelar quantos eles
são.
Na metade de um ciclo natural, sadio, a hipófise secreta um
pico de LH, o qual estimula o folículo dominante a liberar
seu óvulo. Esse processo natural é imitado no
tratamento de indução da ovulação,
também pela injeção de outro hormônio
conhecido como gonadotrofina coriônica humana (hCG). Esse
preparado é dado quando o ovário contém um ou
mais folículos maduros. O hCG leva entre 36 e 48 horas para
agir - por esse motivo, se ele for dado de manhã, a
ovulação pode ser esperada durante a tarde e noite do
dia seguinte. Essa tarde e a seguinte são os melhores
momentos para ter uma relação sexual.
Relações sexuais duas ou três vezes por semana
devem conseguir um suprimento de esperma suficiente para fertilizar
o óvulo quando o mesmo for liberado.
Longos períodos de abstinência parecem piorar a
função espermática. Muitas pacientes relatam
que a monitoração intensa pode tirar muito da
espontaneidade de suas vidas sexuais. Uma pequena
interrupção do tratamento - talvez um ou dois meses -
pode aliviar a tensão e permitir uma relação
mais descontraída. Os médicos podem confirmar que a
ovulação ocorreu realizando um exame de sangue para
medir os níveis de progesterona mais ou menos no
sétimo dia após a ovulação
Passo a passo
da indução da ovulação
1. Tratamento
medicamentoso, para produzir um único óvulo a
amadurecer
Citrato de clomifeno ou preferencialmente gonadotrofinas, para
estimular o crescimento de um a três folículos no
máximo
2. Monitoração do tratamento para
medir o crescimento dos folículos, individualizar as doses
do medicamento, e prevenir efeitos colaterais sérios
Por meio do exame de ultra-sonografia transvaginal - Algumas vezes,
pela dosagem dos níveis de estrogênio em uma amostra
de sangue
3. Administração de hCG quando um
folículo atinge o diâmetro de no mínimo 17
mm
hCG estimula a maturação e a liberação
final do folículo dominante
Quando tiverem se desenvolvido 3 ou mais folículos com mais
de 15 mm, a administração de hCG será evitada,
a fim de serem prevenidos efeitos colaterais sérios, como a
síndrome da hiperestimulação ovariana (OHSS) e
gravidez múltipla
4. Relação sexual ou IIU -
Inseminação intra-uteriana programada para 36 horas
após a injeção de hCG
5. Teste de gravidez
EFEITOS
COLATERAIS DO TRATAMENTO
Os efeitos colaterais do clomifeno e das gonadotrofinas são raros e de curta duração. Têm sido relatadas preocupações quanto ao uso prolongado do clomifeno; o tratamento a curto prazo, rigidamente monitorado, é considerado seguro. Entretanto, existem em geral dois importantes riscos na indução da ovulação a síndrome da hiperestimulação ovariana (OHSS) e a gravidez múltipla. Quando é detectada pelo ultra-som a possibilidade de uma delas, os médicos em geral interrompem o ciclo de tratamento e não fazem a injeção de hCG.
Síndrome de hiperestimulação ovariana. A OHSS é uma condição rara, que ocorre quando muitos folículos crescem e causam distensão abdominal, desconforto, náuseas, e algumas vezes dificuldade para respirar. Em casos extremos torna-se necessária a hospitalização. A OHSS é potencialmente muito grave, mas pode ser evitada pela monitoração cuidadosa.
Gravidez múltipla. A monitoração com ultra-som revelará se mais de três folículos estão se desenvolvendo até o ponto de maturação. Nesses casos o tratamento deve ser interrompido, já que o risco de uma gravidez múltipla fica bastante aumentado. Estudos mostram que gestações múltiplas estão associadas a um maior risco de aborto e de parto prematuro
esse artigo foi tirado do site abaixo, mais informações acesse:
http://www.procriar.med.br/reprod_inducao.asp


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